[first] Entrevista com Amora (MiniBoss) – O primeiro jogo [parte #1]
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Transcrição:
Kiliano Lopes: E para você que quer começar o seu primeiro jogo, eu trouxe uma convidada aqui hoje que já é conhecida de vocês, já participou de alguns outros vídeos no canal, já teve jogo na lista do 365 Indies. Eu trago para vocês a Amora da MiniBoss Studios. Amora, diga aí, quem é você?
Amora: Oi, eu sou a Amora. Sou da MiniBoss, faço jogos com o meu parceiro Pedro, o Santo, e a gente tá nessa, vai fazer cinco anos agora.
Kiliano Lopes: Cara, muito legal eu trazer alguém aqui. Eu trouxe o Danilo da JoyMasher já, a gente já bateu um papo falando um pouquinho sobre o primeiro game e tal. E, Amora, eu tô te trazendo aqui hoje porque muita gente que acompanha o canal pensa em brincar com o desenvolvimento, né? Algumas pessoas pensam em levar de uma forma mais a sério, em realmente querer ser um desenvolvedor, e outras pessoas pensam numa situação mais descompromissada, né? Eu lembro quando a gente bateu um papo no Café com Games anos atrás, e você fez uma comparação maravilhosa assim, como se o desenvolvimento indie fosse uma coisa mais com pegada de banda de garagem, não é isso?
Amora: Uhum. Eu ainda eu ainda uso essa comparação bastante, eu acho ela muito válida.
Kiliano Lopes: É, fala um pouquinho aí. Por que que você acha que tem essa… que é meio parecido assim?
Amora: É porque pelo menos no nosso caso foi muito assim, né? A gente… Como foi foi uma coisa que cresceu muito organicamente, assim, muito naturalmente, então nunca foi uma decisão superconsciente, tipo, “Ah, não, agora a gente vai ser profissional nisso daqui, a gente vai ganhar dinheiro com isso daqui”. Não, foi sempre uma coisa de juntar com um amigo e aí um começa a desenhar, o outro começa a programar. Como é é muito parecido com se você estivesse juntando amigos para tocar música e aí, putz, de repente você percebe que você tem uma banda e tá marcando shows, mas é tudo pura consequência da diversão e da paixão assim, sem muito planejamento sério, sabe?
Kiliano Lopes: Pois é, sempre quando eu vou bater um papo com alguém eu uso essa comparação também, e eu acho bem legal isso, porque muita gente que quer às vezes brincar com o desenvolvimento mesmo, ele quer isso mesmo, cara, ele quer só brincar, é o cara que, como se fosse uma banda de garagem, por exemplo, ele ele curte muito um estilo de música e, pô, “Vou comprar um violão para, sei lá, vou tirar uma música aqui à toa, sozinho mesmo”. E eu vejo muita gente começando a desenvolver assim. Você lembra mais ou menos como é que foi o seu primeiro game que você desenvolveu?
Amora: Então, essa é uma pergunta complicada, porque eu e o Santo, quando a gente fala do nosso primeiro jogo, geralmente a gente se refere ao Talbot, né, o Talbot’s Odyssey. E até foi sobre ele, né, que a gente conversou no Café com Games naquela época.
Kiliano Lopes: Sim, a gente conversou sobre ele. Eu inclusive tô até Devo tá passando o gameplay dele aí no no background. É um joguinho muito simpático, inclusive eu devo ter dado uma chupinhada descarada inconsciente aí com o joguinho Tim, que eu fiz para uma jam, que eu tava reparando esses dias, cara, que o bonequinho que eu fiz, ele é meio redondinho assim, lembra muito o Talbot. Mas o Eu fa- Esse jogo eu vejo já é um jogo mais caprichado, sabe?
Amora: É… Então, ele é sim o primeiro, vai, oficial, mas, tecnicamente, o nosso primeiro jogo, ele veio antes do Talbot, que é o Six Feet Over, que é um… Esse esse realmente conta como primeiro, vai… Ai, é que é complicado, Kiliano, porque em dois mil e 2006 ou 2007, eu fiz um jogo sozinha usando o RPG Maker. E e na época eu nunca tinha percebido isso, mas outro dia que eu me toquei, eu falei, “Caraca, esse é o meu primeiro jogo, sabe? Ele ele conta como primeiro jogo”, porque eu lembro que eu tive que programar um pouquinho, eu pedi ajuda para alguns amigos programadores. O jogo não dura nem 15 minutos, eu fiquei três meses fazendo, sabe? Então, por mais que tenha sido uma coisa supersimples no RPG Maker, uma coisa que eu nem desenhei do zero os assets, eu pegava os assets do próprio RPG Maker e desenhava por cima, sabe? Por mais que tenha sido uma coisa superbabaca, às vezes eu acho que esse foi o meu primeiro jogo. Eu fiz para um ex, para um para um namorado meu da época, assim, um joguinho para Você controlava ele numa casa achando recadinhos, achando coisas fofas do nosso relacionamento, assim. E aí eu queimei um CD com o jogo e pus numa numa capinha toda desenhadinha, com os screenshots atrás, review, sabe? Tudo bem bem para parecer um joguinho mesmo, assim.
Kiliano Lopes: Ai, que bonitinha!
Amora: Mas acho que Mas acho que o que é mais legal falar mesmo é o é o Six Feet Over.
Kiliano Lopes: E e como é que foi isso?
Amora: Então, eu tava Eu, assim, eu queria muito trabalhar com jogo, eu queria muito fazer um jogo, né, criar personagens, histórias, coisas assim, eh direcionadas para jogo, e o Santo desde criança cria jogo, nem que seja só na cabeça dele, assim. Ele tem cadernos e mais cadernos de de ideias de jogos. Ele já tava programando várias coisinhas. Quando a gente se conheceu, ele tinha um fangame que ele tava fazendo daquele filme O Cubo, aliás, foi por isso que eu me apaixonei por ele. E aí a gente foi numa palestra junto do sobre o Construct, eh não o que o pessoal tá usando hoje, o Construct Classic, aquele primeirão, que é bem bem tosco assim, né? Pessoal do do Rio de Janeiro, os irmãos Tiers. E aí que a gente viu assim, que era bem fácil usar o Construct e tal, e nessa mesma semana da da palestra o Santo começou a a mexer no programa, eu comecei a fazer os os assets e a gente fez um jogo supersimples de de zumbi. Acho que a gente terminou A gente terminou em duas semanas, depois ficou mais uma semana só aperfeiçoando e lançou, assim, de graça no nosso bloguinho, assim.
Kiliano Lopes: Eu acho bem legal essas paradas assim, tipo, “Ah, vamos fazer um jogo junto?”, “Vamos!”, “Ah, sei lá, vamos fazer zumbi”. Vocês Vocês escolheram esse tema, não tem uma proposta? Vocês escolheram porque tava fácil? Como é que é?
Amora: É, né? Na época tava muito… Todo mundo, né, tava curtindo zumbi. Foi 2010, o Pedro era maluco por zumbi, ele ia naqueles Zombie Walk que rola
Kiliano Lopes: É.
Amora: todo ano, ele gostava muito. Então, assim, como a gente queria uma coisa bem simples, mais para testar mesmo, né, o programa e para ver como é que a gente se saía fazendo um joguinho junto, foi só um tema que que ele gostava muito, assim, era mais fácil, sabe, para para casar com a mecânica do jogo, que é um carinha andando para lá e para cá e atirando, assim, destruindo eh inimigos e o score baseado no em quantas quantos inimigos você consegue destruir até não aguentar mais e morrer.
Kiliano Lopes: Cara, eu gosto muito desse tipo de mecânica para quem tá começando, é uma coisa simples, palpável, boa parte dessa da programação que você vai precisar disso aí é algo que já é nativo de muito software. O Construct, ele tem os sisteminhas de plataforma dele prontos,
Amora: Uhum.
Kiliano Lopes: eh para conseguir fazer isso hoje é muito mais fácil e eu eu gosto demais de pedir para os desenvolvedores fazerem isso, cara. Vão com pouca pretensão, bota um tempo limite. Eu falo muito aqui sobre terminar jogos, mas não precisa necessariamente terminar, faz só uma parada apresentável e solta na web aí, sente o feedback das pessoas e tal, isso é bem legal. E essa foi a primeira parte da entrevista com a Amora, em breve aí eu vou lançar a segunda parte para vocês, em que a gente vai falar um pouco mais sobre mercado, vai entrar mais em alguns outros assuntos, não deixem de conferir, principalmente para você que quer começar a fazer os seus joguinhos. E é isso aí, obrigado, Amora, e até a próxima.
Amora: Beijo.
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Kiliano Lopes, web designer, 28 anos, Governador Valadares - MG
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