Mboi Tu’i e a Literatura Indie Brasileira + Renan Cardoso [Wiki]
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Transcrição:
**Kiliano Lopes:** Hoje não estamos aqui para falar sobre jogos, mas estamos falando sobre conteúdo independente, e eu trouxe aqui uma pessoa que se expressa artisticamente de forma independente. Eu vou fazer isso mais vezes com outros setores, eh outros setores da arte, né? Outros setores da expressão. E eu estou aqui com o Renan Cardoso. Cara, Renan, dá um oi para as pessoas, diga quem você é e a bela obra que você está trabalhando.
**Renan Cardoso:** Olá, pessoal. Meu nome é Renan Cardoso. Eu sou escritor e colunista na revista Café com Games, e eu vim falar hoje do meu livro Mboi Tu’i e Outros Contos.
**Kiliano Lopes:** Isso. Mboi… Mboi Tu’i, que inclusive eu a vida toda estava chamando na minha cabeça de Em-Mboi Tu’i… Cara, e eu acho que a gente pode até começar esse papo falando um pouco sobre o título do seu livro, né? Algumas pessoas podem ter lembrado imediatamente de outro ser de nome impronunciável, que é o… é o Cthulhu, Cthulhu, Cthululhu…
**Renan Cardoso:** É.
**Kiliano Lopes:** Cara, de onde veio a ideia do seu livro? Seu livro ele é… ele é um horror? Fala um pouco sobre ele.
**Renan Cardoso:** Cara, é engraçado. Assim, a ideia do livro, né, ela veio assim… Eu vinha… eu vinha já estudando bastante Lovecraft e tal. Tinha… Foi uma paixão assim rotineira, tipo, inesperada, né? Eh, eu tive bastante vontade de começar a estudar a estrutura da narrativa deles, e nesse período eu estava num período de férias, então eu estava com a minha família no sul de Santa Catarina, e os meus avós estavam discutindo sobre um caso de uma explosão que teve numa mineradora lá em Criciúma. E eu lembro que essa foi a coisa assim que engrenou, que foi aí que eu pensei: “Não, eu quero criar uma coisa nova, mas eu preciso de um ângulo”, sabe? E foi aí que eu pensei: “Não, eu tenho esse esse diferencial. A minha voz vai ser expressar essas histórias do início do colonialismo catarinense”, sabe? Que foi uma coisa que os meus avós traziam bastante assim, essa essa tradição de contar histórias. E foi daí que eu tirei essa ideia. Aí quanto mais eu fiz a minha pesquisa sobre Santa Catarina e sobre a nossa história, foi quando eu comecei a descobrir mais e mais sobre as nossas origens, até sobre os nativos Tupi-Guarani e as tribos Kaingang, né? Eh, aqui em Santa Catarina nós temos bastante sambaquis, que são sítios arqueológicos dos indígenas Kaingang. Comecei a pesquisar sobre o folclore deles, e foi aí que eu descobri sobre o Mboi Tu’i, sabe? E foi aí que eu comecei a brincar com esses conceitos incorporando uma estrutura lovecraftiana, assim por dizer.
**Kiliano Lopes:** Cara, pois é. Eu descobri Lovecraft há alguns anos atrás. Li pouca coisa dele, li o o o Chamado de Cthulhu, né, que é bem curtinho inclusive. Vale bastante a pena se vocês quiserem dar uma pesquisadinha. E, cara, é uma sensação de estranheza. Eu acho que que esse é um dos maiores sentimentos assim quando eh quando a gente está lendo alguma coisa do Lovecraft, que não é só a questão de de horror, né? É uma questão de estranheza muito, muito grande. E o seu livro, eu comecei a ler ele e eu já senti algumas coisas assim na primeira página, sabe? Ele começa contando uma história… Inclusive me surpreendeu pelo fato eh de ser algo nacional, assim, de se passar realmente no Brasil a história. Eu valorizo extremamente isso quando você pega um gênero que já é conhecido e aplica ele na na nossa realidade. Eu comecei a ler aqui e sabe quando você está lendo e as coisas estão desenvolvendo, mas você sabe que tem alguma coisa de errado? Uhum. Sabe? Ele ele tem aquela pulga assim atrás da orelha que que realmente me deu uma fisgada. Eh, tem também aquela a questão do potencial, você não sabe onde ele vai te levar. Ele pode te levar até a esquina ou ele pode te levar eh pra algo indescritível assim, sabe? Então eh é um livro que tem um potencial de crescimento meio assustador assim. Toda toda questão de literatura de horror assim meio Lovecraft acaba tendo esse efeito, né?
**Renan Cardoso:** É, tem bastante disso, né? Eu gosto bastante da estrutura de contos também porque aí você… Eu acho que é a mídia mais simples, mais fácil pra pra ser integrada na nossa cultura atual, sabe? De tipo tu não perde muito tempo, tu lê uma história de 20 páginas, tu pode ler em uma horinha e em qualquer hora que tu pegar o livro, tu consegue ler um conto assim. Então por isso que eu optei pelos contos e pela estrutura do Lovecraft, porque eu estava muito ocupado quando comecei a ler Lovecraft. Aí percebi que: “Não, não, esse formato aqui é perfeito pra pessoa que está, tipo, que faz muitas coisas e aí quer parar uma hora e só dar uma lidinha”, sabe? Se não, depois tem que ficar lembrando onde é que tu tava, o que que tava acontecendo antes na história. Então a estrutura dos contos era bem legal por causa disso. A parte do terror assim, sabe, que eu gostei mais, é a forma como ele explora… O Lovecraft teve vários períodos diferentes de criação, né? Mas a parte que todo mundo lembra é mais a parte sobre o o terror fantástico, né? E e isso ressoou bastante com as coisas que eu tinha medo assim, sabe? Que é tipo esses vazios existenciais assim que a gente tem que encontrar no dia a dia, assim. Achei bem legal essa proposta da história dele, só que aí quis trazer pra mim, sabe? Porque eu acho que, tipo, um autor nunca pode se perder em querer fazer algo: “Ah, eu quero fazer algo igual como esse cara aqui faz”, sabe? Tipo: “Ah, eu gosto disso, logo eu vou fazer isso aqui”. Sempre tem que achar tua própria voz e tentar criar tua própria coisa, sabe? Foi aí que eu dei… e aí eu pirei bastante assim em como é que eu ia fazer, o que que eu tinha pra trazer de novo assim, sabe? E o negócio de ser sobre Santa Catarina, de ser sobre o Brasil é interessante, porque eu vejo que às vezes os caras forçam esse negócio de nacionalismo pra ser, tipo, um fator de venda, né? Mas no meu caso foi assim natural, sabe? Foi foi exatamente sobre o que eu queria falar. Então eu estava de férias, eu estava viajando por toda Santa Catarina e eu pensei: “Meu, não tem oportunidade melhor do que registrar a geografia e a história desse lugar agora”, sabe? E foi isso que eu aproveitei assim, sabe?
**Kiliano Lopes:** Falando um pouco mais sobre a questão de produção e de autoria independente, tá? Você se considera um autor independente? Eh, e falando resumidamente assim, como é que foi… como é o processo de publicar um livro, cara? Porque é uma dúvida que eu tenho. Eh, eu estou naquela parcela de pessoas que morre de vontade de escrever um livro e ainda não escreveu uma linha. Quer dizer, na verdade eu meio teoricamente escrevi um capítulo de um livro aí, mas mas a gente sempre fica em dúvida de como é que funciona o meio independente literário. E, obviamente, você entrou em contato bastante a fundo nisso, cara. Fala resumidamente aí, eh fala rapidinho pra gente como é que é essa questão de como é publicar um livro de forma independente, ou semi-independente, ou procurar uma editora. Como é que isso aconteceu com você?
**Renan Cardoso:** É, o processo na verdade é bem simples, né? O problema na verdade é é como é que tu vai abordar, porque tu tem que pensar que tipo: “Ah, eu quero que esse livro venda talvez”, não sei, não é todo mundo que entra nesse ramo pra ser o Van Gogh, sabe? Então, tipo, a primeira coisa que você tem que fazer, né, seria você encontrar o que que você quer criar, né, e desenvolver o seu livro e tal. Digamos que você já está com o livro ali 100% pronto, feito, né? Eh, e isso também não é 100%, a gente já fala mais… eu posso falar mais sobre isso, mas eh primeira coisa que tem que fazer é registrar ele na Biblioteca Nacional, eu diria, porque todas as editoras, elas pedem um comprovante legal dos direitos autorais. Então a primeira coisa que tem que fazer: entrar no site da Biblioteca Nacional, enviar uma cópia pra eles, eles têm que te enviar um documento de volta, etc., etc., e aí a partir desse ponto você se torna o dono legal da sua obra. A partir desse ponto, você pode começar a enviar resumos ou, senão, a obra incompleta pra várias editoras. A maioria das editoras leva dois meses pra avaliar uma obra e eles não te retornam caso eles não queiram. É.
**Kiliano Lopes:** É, que bonito.
**Renan Cardoso:** Então assim, no meu caso eu dei sorte porque eu encontrei a Giostri, sabe? A Giostri é uma editora de São Paulo, mas eles trabalham aqui em Santa Catarina também. E eles tinham acabado de fazer a exposição, tinham acabado de fazer o lançamento de um autor joinvilense. Eu fiquei sabendo da notícia, enviei uma cópia pra eles, na mesma semana eles me retornaram. E assim, a Giostri trabalha com um financiamento quase assim semi-independente, eu diria, sabe? Porque eu entro com 20% do… entrei com 20% do investimento, eles entraram com 80%, aí eu fiquei com o direito de 20% da tiragem, certo? E essa esse 20% desses livros da tiragem de 1.000 cópias são meus pra eu vender e recuperar o o investimento inicial, né? E as outro os o o outro 80% que fica com a Giostri, aí eu recebo uma porcentagem das vendas, certo?
**Kiliano Lopes:** Entendi. Então foi um foi um contato relativamente tranquilo nesse sentido.
**Renan Cardoso:** Isso, é, exato. E aí a a questão também, acho que tem muitos autores independentes que pensam, é tipo: “Ah, mas eu sou ruim de gramática ou de edição”. Eh, a parte de correção, de diagramação e e de apresentação é tudo responsabilidade da editora na maioria dos casos, sabe? Então a não ser que você vá fazer uma obra de forma independente com financiamento coletivo, aí nesse caso você vai ter que contratar provavelmente uma editora que esteja disposta a pegar a tua obra e transformar no num livro propriamente dito, né? Mas eu eu acho difícil alguém começar a carreira dessa forma com o mercado que a gente tem, sabe? Então acho que a melhor forma pra um criador agora seria exatamente isso: registrar a sua obra e tentar achar algum lugar pra publicar ela, sabe?
**Kiliano Lopes:** É, não, então, na verdade, o primeiro passo pro escritor independente é terminar o seu maldito livro. Basicamente é isso. Então você que está ouvindo e quer escrever um livro, abre o Word agora e já começa aí o seu primeiro capítulo. Eh, cara, antes de mais nada já te agradeço, muito obrigado por ter vindo aqui no canal pra poder falar um pouquinho sobre essa questão eh independente que às vezes fica muito fora da curva, né, cara? A literatura, ela é uma coisa muito difícil no nosso país, né? Eh, não não diria até não só no nosso país, mas em muitos outros. Ah, mas a literatura ela é um negócio complicado assim de de venda, comercialmente falando, comparado a outros meios de entretenimento, né? É, você gostou desse vídeo, pode ficar feliz que eu vou trazer outros autores independentes aqui. Então vamos falar mais de como esse livro pode chegar na mão de você que está vendo aí esse vídeo. Onde as pessoas podem comprar o seu livro, Renan?
**Renan Cardoso:** Beleza. Eh, se você mora em Joinville, ele está à venda nas melhores livrarias, em São Paulo também, nas livrarias autorizadas da Giostri, a Giostri tem as próprias livrarias, e também eh através do site do 365 Indies. Eh, o Kiliano fez esse favor pra mim de deixar o livro disponível lá, então essas cópias assim, cada cópia vendida vai 100% do valor pra mim e pro pessoal do do 365 Indies, então esse investimento vai tipo ajudar completamente o meu trabalho. Agradeço muito pra quem tiver interesse.
**Kiliano Lopes:** Sim, sim. Inclusive o o o contrato que eu fiz com o Renan basicamente a porcentagem que vai pro 365 Indies é pra pagar a taxa e essas coisas assim. Eu realmente quero muito incentivar a venda desse livro.
**Renan Cardoso:** É, não, eu sou muito… Eu Eu tenho que te agradecer mais do que tu me agradecer, Kiliano.
**Kiliano Lopes:** Não, não precisa. Eh, o Porque a Isso está na mão de você que está vendo esse vídeo. Então eu… está na loja aí do 365 Indies, a mesma loja que vocês estão tão acostumados aí a ver caneca, pôster, está aí com o livro de autoria independente também, eh que a grana vai parar na mão direto do autor, cara. É sempre a coisa que eu incentivo aqui, que é esse relacionamento próximo com o autor da obra. Eh, então é isso aí, vou deixar o link na descrição se você quiser conhecer um pouco mais do Em-Mboi Tu’i, Mboi Tu’i, pronuncie como bem desejar, como como mandar o seu coração. Deixa algum recado aí, você tem algum site, e-mail pras pessoas poderem mandar um feedback pra você?
**Renan Cardoso:** Então, se você quiser entrar em contato comigo, você pode entrar em contato pelo inbox do Café com Games ou pelo inbox da página no Facebook Um Livro Qualquer, sou administrador lá e a gente fala bastante também sobre desenvolvimento independente de livros lá, beleza? Obrigadão de novo, Kiliano. Obrigado pelo espaço.
**Kiliano Lopes:** Isso, excelente, excelente. O livro custa R$ 34,90, o frete é grátis pra todo o país. Você aí do Norte e Nordeste que fica chateado quando vê fretes absurdos, frete grátis, vai fundo. Eh, e muito obrigado, Renan. E você que está vendo esse vídeo, dê uma chance para a literatura independente brasileira.
Descrição do Vídeo
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Jogo do gameplay "Eversion":
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Kiliano Lopes, web designer, 28 anos, Governador Valadares - MG
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Preview: Run (Canabalt)
Divine Combat (Binding of Isaac)
Ballad of Burning Squirrel (Super Meat Boy)
Track B (Gravity Hook)
Time Donkey (100 tacos)
Thank you mr. Danny Baranowsky
News: BeatBuddy Soundtrack