[indies] Alvanista – a rede social independente de games
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Transcrição:
E esse é o primeiro episódio do quadro Indies, em que eu vou trazer várias outras pessoas de outros nichos, de outras iniciativas independentes, outros tipos de conteúdo independente pra gente poder conversar aqui sobre esse… sobre esse meio, né, sobre esse nicho em si. Eu vou trazer pessoas da música, vou trazer pessoas do quadrinho. E a pessoa que eu vou trazer aqui hoje é o Sicora, que é o cara que tá por trás da Alvanista, que é uma rede social de games, é uma iniciativa completamente independente.
E em vários conteúdos que são muito focados em áudio como esse, eu ando deixando uma imagem estática. Vou começar a colocar gameplays de jogos independentes. O jogo que vocês estão vendo aí é o Delver, eu ainda vou fazer um vídeo sobre ele aqui, mas, por enquanto, fiquem só aí com a gameplay. Fiquem à vontade pra poder minimizar e só curtir o áudio. E eu vou falar hoje aqui com o Sicora, o Rodolfo Sicora, uma das pessoas que tá por trás dessa rede social completamente independente aí, que fala sobre games. Então, Sicora, vou abrir aqui um espacinho. Primeiro fala aí quem é você e de onde surgiu essa ótima ideia pra fazer essa rede.
Bom, eu sou um dos fundadores, né, da Alvanista, alvanista.com, rede social de games. Em 2006, cara, eu voltei de São Paulo pra Fortaleza e eu cheguei aqui e falei: “Cara, não quero, não quero trabalhar porque a galera aqui paga muito mal na área de TI.” Ou pagava, né? Tá melhor hoje em dia. E aí eu falei: “Porra, preciso fazer alguma coisa.” E um amigo meu, cara, um indiano que morava nos Estados Unidos, que eu já tinha trabalhado com ele, apareceu com a ideia de fazer a primeira rede social que eu fiz, que era uma rede social para artistas independentes chamada iJigg.com. Mas eu diria que essa foi a minha primeira, vamos botar, primeira empreitada independente voltada para artistas de música independente. Deu muito certo, tanto é que através dela eu fui pra minha segunda empreitada independente, que foi o gengibre.com.br, também fora do ar.
Você está me zoando que você estava por trás do Gengibre? Eu adorava o Gengibre, cara. Puta merda. Eu usei pouco o Gengibre, mas se eu… se eu me alongar muito aqui, a gente vai falar muito. Então continua falando do seu primeiro projeto e depois a gente vai pro Gengibre.
No iJigg, o iJigg fez muito sucesso, cara. Tanto sucesso que eu praticamente precisei de psicólogo por causa dele, porque eu nadei, nadei, nadei, nadei e morri na praia, certo? Em termos de grana mesmo. A gente foi, tipo, convidado pela Y Combinator, que é a maior aceleradora do planeta, de onde saiu o Dropbox, por exemplo, pra um… um camping de startups, vamos dizer assim, uma aceleração. Por conta do iJigg, cara, não sei se você lembra de um programa chamado… cara, esqueci o nome agora. Não sei se era Debate MTV, enfim. O Cazé me chamou pra gravar o piloto junto com ele. Era até na época daquela polêmica da Daniela Cicarelli, não sei se você tá lembrado, da praia e tal. E a gente ia discutir direitos autorais, porque, tipo, o grande problema da rede social de artistas independentes era como é que a gente ia segurar a onda da galera postando Shakira, Michael Jackson e tal na rede. E só que nos Estados Unidos é tranquilo.
Aí eu conheci um cara e, cara, no dia seguinte ele me ligou. Ele foi muito gente boa, muito, muito, muito gente boa. Ele falou que queria botar alguma coisa pra frente na internet. Depois de uns, sei lá, uns cinco meses, cara, trocando ideia com ele todo dia na madrugada por Skype, que nem a gente tá fazendo aqui, a gente chegou na ideia do que seria o Twitter de voz, o gengibre.com.br. E foi pra frente, ficou no ar um bom tempo, só que não pegou tração e a gente teve que encerrar ele no começo do ano passado. Mas, cara, porra, foi… foi massa, foi muito massa.
Pô, foi de fato uma surpresa ter isso aqui. Eu não fazia ideia que você tinha relação com o Gengibre, que é uma rede social que eu tinha um carinho bastante grande. Mas pô, vamos… vamos falar um pouco sobre a Alvanista agora. De onde surgiu, como veio?
Cara, porque é assim, essa… essa… eu tô resumindo a história, bicho. Essa história é… é muito mais maluca do que só isso. Mas, enfim. Depois do Gengibre, que foi, vamos dizer, a segunda vez que eu nadei, nadei, nadei e morri na praia, eu falei pra mim: “Cara, chega, não dá”, entendeu? “Preciso…” Minha filha tinha nascido há pouco tempo e tal. “Não, preciso voltar pro mercado.” E eu comecei a ir atrás de emprego mesmo. Eu passei, cara, cinco anos fazendo essas loucuras de casa, entendeu? Aí fui atrás de emprego, cara. Só que eu sou muito sortudo, tipo, no dia que eu comecei a procurar, no dia seguinte eu arrumei. E conheci os caras na… eu trabalho na… ainda… ainda trabalho na prefeitura, vamos dizer assim. Conheci os caras, bicho, e esses caras eles eram… um deles era fã do Gengibre, entendeu? Que era o Bruno.
E quando eles resolveram sair da prefeitura pra abrir a empresa deles, depois de uns seis meses, mais ou menos, o Bruno mandou mensagem pra mim e falou: “Aí, cara, eu quero te mostrar um negócio.” Eu: “Ah, mostra aí, né?” Aí: “Não, cara, tu tem que vir aqui. Eu só vou te mostrar se você vier aqui na empresa.” Eu: “Beleza.” Fui lá. Aí ele me mostrou a Alvanista, eu achei: “Caralho, que massa! Muito massa. Porra, sou doido por jogo e tal. Muito massa, cara. Isso vai pra frente, manda bala, gostei pra caralho.” Aí ele: “Não, cara, tu não tá entendendo. Eu quero que você participe com a gente.” Eu: “Nem fodendo.” “Chega, não dá mais.” Aí ele: “Não, cara, tu conhece muita gente, tu já passou por… por poucas e boas e você vai ser só o nosso conselheiro espiritual.” Tanto é que eu era, tipo, o consigliere da Alvanista no começo.
E só que, cara, eu… eu tenho essa parada no sangue de empreendedor, saca? De querer pegar as coisas, abraçar e fazer o melhor pra dar certo. E não consegui ser só o conselheiro, cara. Tipo, virei um dos desenvolvedores principais junto com… junto com eles e eles acabaram me chamando pra fazer… pra participar muito mais do… do projeto.
E eu gosto muito de ver esses grupos pequenos assim tomando umas iniciativas criativas. Eu… eu acredito que o… o Bruno que teve a ideia inicial, né, de poder tocar a Alvanista. Cara, o que que ele tava pensando quando ele resolveu fazer? Ele é gamer e queria fazer uma rede social pra falar sobre isso, ou ele tava com uma visão de negócio? O que que deu na cabeça dele assim pra ele tomar essa iniciativa?
O Bruno é uma figura peculiar, sabe? Eu vou até esconder detalhes que é pra galera não… não dar muita risada. Ele é bem peculiar, mas, enfim. Ele comprou um PS3 na época. Ele pegava todo o salário dele e comprava futilidades, tipo milkshake do Bob’s, como ele diz. Só que aí ele resolveu comprar um videogame. PS3. Aí, tipo, ele falou: “Caraca, eu comprei o PS3 e o jogo custa 200 reais. Me lasquei.” Aí ele: “Porra, preciso saber… preciso pegar jogo de amigo meu.” “Ah, como é que eu vou fazer isso? Numa planilha no Google Docs e ficar lá pegando jogo emprestado.”
Só que a planilha do Google Docs é muito arcaica, entendeu? E o Bruno é um desenvolvedor foda, cara. Ele é muito bom, sabe? Ele bota coisa pra cima rapidinho. Aí ele pegou o feriado de Carnaval, porque ele já tinha tentado vender essa ideia de um… de um… de um, vamos dizer, um TrocaJogos pros sócios deles, a galera não comprou a ideia. E ele falou: “Não, vou fazer isso aqui pra mostrar um protótipo pros caras, tipo mostrar pra eles verem e se empolgarem com a ideia.” Então ele fez, cara, o que foi a primeira versão da Alvanista, que, tipo, não existia… não existia post, não existia comentário, não existia nada. Você chegava lá e montava a sua coleção de jogos que era pra tu saber o que que o teu amigo tem, o que que ele quer e aí você poder: “Aí, me empresta esse, me empresta aquele.” Era basicamente isso.
O cara chegava na rede, montava a coleção dele: “Caralho, massa, blá blá blá”, e nunca mais voltava, porque, tipo, vou fazer o quê de volta lá? Quando ele comprar um jogo novo, né? Todo dia que você compra jogo. Que eu vou voltar pra atualizar aquilo lá, mas isso não… não engajava, entendeu? Então, mas o pontapé inicial foi… foi isso, veio da cabeça dele. Depois é que… a galera não acredita, mas, tipo, a Alvanista é hoje o que ela é com base no feedback da galera. A verdade é essa. “Ah, precisa ter comentário, precisa ter post.” Basicamente é pegando o que a galera pede, não necessariamente o que ela pede, mas as necessidades que eles apresentam e a gente vai colocando. Às vezes a gente tem que tirar alguma coisa, como foi o caso de listas.
E eu… eu gosto muito quando essas coisas crescem assim de forma orgânica, né? Eu uso a Alvanista há bastante tempo. O 365 Indies, ele praticamente surgiu lá dentro, né? A Alvanista sempre deu um apoio muito foda. Antes da gente ter esse site hoje, o 365indies.com, o endereço, se você digitasse no navegador, ele caía na Alvanista. Por muito tempo eu considerei… eu considerei a Alvanista como a home, como a minha página, né? Inclusive eu só mudei isso porque eu resolvi realmente montar a loja, senão ainda tava direcionando pra lá.
A Alvanista é o lugar que eu gosto de conversar sobre games, porque eu não gosto de fazer isso no Facebook, na minha timeline, porque eu tenho parente… Às vezes eu solto alguma frase lá, alguma coisa sobre game: “Pô, aquele cara do meu trabalho, que não faz ideia do que eu tô falando, vai ver aquela parada”, entendeu? Um cliente que eu adicionei, que eu uso o Facebook só pra comentar por chat com ele, vai ver que eu comentei que eu zerei o jogo tal e… Esse cara não trabalha, né? “Pô, esse cara não trabalha não.” Esse cara não trabalha, esse cara, pô, o cara tem quase 30 anos nas costas e tá jogando Pokémon de 3DS? Pra esse maluco que eu vou botar o meu dinheiro?
Pois é.
E a Alvanista é o lugar que eu me sinto à vontade pra poder ir lá conversar sobre games. E hoje ela tem plataformas excelentes que eu não… tem recursos, né? Tem mecânicas ali que eu não vejo em nenhuma outra rede social. Eu ficaria muito tempo descrevendo aqui, então vou tentar ser breve, né? Desde o sistema de XP, que você aumenta level, que você ganha os achievements lá, as suas conquistas da sua conta. Eu acho que tem o sistema… você vai fazer um comentário, né, você marca um jogo, o que facilita pra caceta, cara.
É um dos grandes diferenciais, né? É isso.
Eu tenho uma página pessoal lá, que é o alvanista.com/kiliano, e também tem a /365indies. Eu tô lá pra gente poder conversar não só no Facebook, em outros lugares que vocês já têm acesso direto aí a mim pra gente poder bater um papo. Tem também lá a Alvanista. Se você ainda não tem um perfil, pelo amor de Deus, faça um perfil nessa criança lá. Você pode interligar com seu Facebook também.
Cara, e Sicora, eu estou aqui abrindo as portas, né, pra você poder dar um recado pro cara que tá vendo esse vídeo e ele quer ter uma iniciativa de produzir algum tipo de conteúdo independente ou de tomar alguma iniciativa. Cara, dá uma dica aí pra essas pessoas. O que que você acha que se fosse uma mensagem pro passado pra falar pro Sicora lá do passado, uma dica pra que… o Sicora que tava lá começando… Fala aí, cara. Dê uma dica pras pessoas que tão nessa mesma situação.
Cara, eu tenho uma dica meio polêmica, sabe? Mas, na verdade, o pessoal quis me crucificar por causa dessa dica. Você tem que ouvir os usuários, entendeu? Mas não necessariamente você tem que fazer o que eles pedem da forma como eles pedem, porque isso causa muitos problemas, muitos problemas. Eu citei um artigo, cara, na Alvanista há um tempo atrás e a galera realmente, tipo, quis cortar minhas bolas fora, entendeu? Foi muito paia. Mas por quê, cara? Porque tem aquele ditado do Henry Ford, né? Tipo, eu tô falando… basicamente o que eu quero dizer é o seguinte: faça aquilo que você acredita. A partir do feedback, você vai melhorar, mas você vai melhorar de uma forma a atender não a uma pessoa, mas à maioria das pessoas.
O pessoal que faz uma… que constrói redes sociais principalmente, ele tende a querer agradar a todo mundo e não dá, é impossível, saca? É impossível. No Gengibre a gente teve problema por causa disso, no iJigg eu tive problema por causa disso. Tem o ditado lá que o… que o pessoal atribui ao Henry Ford, que é tipo: “Ah, se tivessem me… se eu tivesse perguntado pros meus clientes o que que eles queriam, eles iriam falar cavalos mais rápidos.” E o que foi que ele fez? Ele fez um carro, entendeu? Boa parte da filosofia da… da Apple lá, do Steve Jobs, é: “Não, a gente escuta o que o pessoal quer, mas não são eles que apontam como a… como a solução vai ser implementada. A gente vê os problemas e, a partir de tudo isso, a gente cria algo que atenda a todo mundo.”
Por exemplo, todo mundo reclamava: “Vamos fazer check-in pra quê?”, entendeu? “Eu quero ver os check-ins na timeline.” Pô, check-in na timeline a gente sabe que não funciona tão bem, a não ser que você escreva alguma coisa. Mas quando a gente criou aquela timeline dos check-ins, cara, todo mundo gostou. Não teve uma pessoa pra falar mal daquilo, entendeu? Por quê? Porque a gente viu as necessidades das pessoas e montou uma solução que elas não conseguiriam montar com a visão estreita, individual de cada um, entendeu?
Então, tipo, a nossa… o nosso… e você que tá criando alguma coisa é: faça o seu negócio, mas não… não tente agradar individualmente as pessoas, porque você agradando a um, você tá desagradando outro. É sempre assim. Então tente fazer uma coisa, pense bem e faça de uma forma que atenda a maioria das pessoas. Sempre vai ter pessoas que vão ficar… tipo, vão desagradar, mas faz parte, entendeu? E se você errar, admita o erro e conserte. Não tô dizendo que listas vai voltar, mas é uma coisa que a gente pensa todo mês, entendeu? Por exemplo.
Então é isso aí. Muito obrigado, Sicora. Você sabe que eu sou muito fã da Alvanista, que eu gosto muito do… da rede social.
Cara, eu que agradeço aí o convite. Estamos sempre disponível, bicho. Você é um cara que a gente admira também, entendeu? Não é… é recíproca a parada. Teu projeto é muito foda.
Pô, obrigado. Então é isso aí. Obrigado a você que assistiu. Não deixe de dar like, favorito, essas coisas assim que normalmente eu nunca peço. Mas muito obrigado a vocês que assistiram até o final. Ficou um pouquinho longo o vídeo. Os próximos eu vou tentar não falar tanto. E não deixem de se inscrever lá na Alvanista, seguir o 365 Indies e começar a fazer parte dessa rede social. E espero que esse vídeo tenha servido de incentivo a você que quer produzir algum conteúdo independente, que quer pensar em alguma coisa independente. Fica aí a dica, fica aí a dica do Sicora também. E é isso aí. Muito obrigado e até a próxima.
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