Doom e os Indies

26 de maio de 2017

Transcrição:

Doom no 365 Indies? Ok, isso pode soar bem estranho, mas eu tenho uma excelente explicação para isso, eu acho. A explicação um pouco mais curta é que, basicamente, eu estava muito a fim de jogar o jogo Strafe, que é um FPS que lançou recentemente baseado em jogo antigo, mas o meu notebook não aguentou o tranco. Eu tive que fazer reembolso do Strafe, e não liguem para isso, eu estou comprando um PC novo, ó, vai chegar em breve aí e vai rolar umas coisas legais. Bem, mas eu estava num hype muito alto para poder jogar um jogo, um FPS mais classicão assim, e eu me dei conta que eu nunca realmente joguei Doom, sabe? Todo mundo conhece Doom, todo mundo já ouviu falar sobre Doom, só que quantas pessoas efetivamente jogaram Doom até o final? Jogaram pelo menos os três episódios básicos ali do primeiro Doom? Então, pulou no meu colo uma promoção do Xbox 360, né, via retrocompatibilidade do Xbox One, que o Doom 1 estava a três reais. Eu já estava lá, sentado na frente do videogame: “Porra, vou comprar isso aqui e vou ver o que é que acontece”.

E, meu Deus! Eu me deparei com um dos FPSs mais intensos e viscerais que eu joguei nos últimos anos. Meu Deus, eu não fazia a menor ideia do quão Doom é um jogo que envelheceu tão, tão, tão bem, cara! E ele definitivamente não parece ter sido um jogo feito há mais de 20 anos atrás. Se tivesse sido lançado um jogo independente exatamente igual a Doom, eu provavelmente acreditaria que é um jogo recente e porque o level design dele é interessantíssimo e, nossa, cara, quem nunca jogou esse jogo, por favor, tem que dar uma chance! Bem, essa é a resposta mais ou menos curta do porquê que Doom tá aparecendo aqui, porque eu joguei e achei simplesmente maravilhoso. Mas, além de poder apresentar um conteúdo sobre Doom aqui no canal, que obviamente Doom não é indie, mas ainda assim vale muito a pena falar algumas coisas interessantíssimas sobre talvez o FPS mais importante já feito na história. Claro que, né, a gente não pode desconsiderar o Wolfenstein, que também é da id Software, que é um dos criadores do Doom, que foi extremamente importante, foi literalmente assim o primeiro FPS, o primeiro jogo em primeira pessoa com uma arma na sua cara ali, enquanto você atira em inimigos, percorre por salas e pega armas diferentes, essas coisas assim. Não não vamos desconsiderar aqui o Wolfenstein. Mas o Doom, ele conseguiu trazer coisas relacionadas à ambientação que a gente nunca tinha visto antes, né? Primeiro que a direção de arte é maravilhosa e segundo que Doom ele consegue trazer uma ambientação, sabe? Cara, ele tem um sistema de iluminação muito interessante e que agrega demais assim no clima do jogo, sabe? Muitas salas às vezes são muito escuras ou ficam com a luz piscando, e dá um certo cagaço. Eu admito até que eu levei alguns sustinhos em Doom com inimigos aparecendo nas minhas costas.

Mas é fato: Doom mudou tudo. Absolutamente tudo. Inclusive, a gente chama hoje de FPS, jogo em primeira pessoa, era conhecido como Doom-like, né? Eram jogos tipo Doom e porque ele realmente virou referência para o gênero, né? Enquanto Wolfenstein abriu a porta para os FPSs, Doom explodiu a sala inteira com um rocket launcher. Bem, esse jogo é feito por umas 10 pessoas, mas eu acho que vale a pena citar pelo menos três aqui, que é o John Carmack, o John Romero e o Tom Hall. O Tom Hall é o cara do áudio, que ele fez um trabalho de música fantástico com Doom. E o Carmack e o Romero são os grandes responsáveis por esses jogos. O John Carmack aí, ele é um dos caras que tá tecnicamente por trás do Quake, também do Doom, né? Ele é oficialmente o programador do Doom. E o John Romero é a mente criativa, artista, level designer, junto com outras pessoas também, né? Eles trabalhavam sempre em conjunto. Mas basicamente os dois Johns aí, o Carmack e o Romero, são os grandes responsáveis por meter o pé na porta dos FPSs e conseguir fazer essa coisa maravilhosa que continua muito boa até hoje.

Bem, e Doom, ele foi tão importante para o jogo independente porque, naquela época, o código do seu jogo era de longe o seu bem mais precioso, era o seu grande tesouro assim, né? Era o que não podia cair nas mãos de ninguém, o que era trancado a sete chaves. E Doom foi extremamente progressista em basicamente tudo que ele propôs, né? Não só no próprio jogo, mas como, por exemplo, a forma de distribuição, que ele tinha uma distribuição independente, né? Basicamente, ele tentou distribuir o máximo possível a versão shareware, que era uma versão que tinha o primeiro episódio gratuito. Você simplesmente podia jogar o primeiro o primeiro episódio numa boa, e isso era distribuído por disquete, na mão de amigos, ou até mesmo por uma uma época pré-internet, né, que era chamada de BBS, se eu não me engano, que você literalmente ligava um telefone e conectava no site, e você podia fazer download por lá. Bem, só que o caso é que você comprava Doom pelo telefone, cara! Você realmente ligava, pagava 40 dólares por telefone e eles te mandavam por correio. Você literalmente ligava para a id Software e pedia o jogo.

Bem, mas deixa eu parar de divagar aqui. Conforme eu tava falando, é a questão do código. Na época, o código era algo que era trancado a sete chaves, né? Era a grande preciosidade da empresa, era o código do do jogo que era feito. E os caras do Doom, a id Software, simplesmente lançou isso publicamente, cara. Os caras liberaram o código. Realmente foram feito outros jogos em cima dos códigos de Doom, como por exemplo, Hexen e Heretic. Acabou gerando uma criação de jogos na comunidade independente que tava ali se formando, que na época não era comunidade independente, era só comunidade mesmo de games. Isso acabou gerando muitos e muitos jogos, muitos mods, versões de Doom. Cara, se você procurar aí na internet por versões de Doom ou mods de Doom, eu garanto que você vai ficar pelo menos um mês aí muito bem entretido, porque a gente tem muitos e muitos jogos baseados em Doom exatamente porque eles liberaram o código gratuitamente, cara, pra quem realmente quisesse fuçar, mexer. E é um dos grandes motivos da gente ter uns ports completamente loucos assim, como, sei lá, Doom rodando em calculadora ou essas coisas assim. Eles terem colocado o código aberto disso foi extremamente fundamental pras pessoas continuarem falando de Doom tanto tempo depois e pro jogo continuar se reciclando, né? Tanto que hoje continuam comunidades de mods de Doom, pessoas continuando fazendo level design, continuando a fazer jogos. E tem o que eu já até falei aqui no canal, o Brutal Doom, que é um mod bem interessante de Doom, que eu recomendo bastante aí que vocês derem uma olhada, que é um jogo bastante visceral e brutal. Tô colocando algumas cenas aí pra vocês verem.

Bem, basicamente é isso. Esse vídeo na verdade é só uma grande desculpa pra eu falar sobre o FPS que realmente me surpreendeu esse ano e que eu não sentia um prazer em jogar um FPS assim há um bom tempo, cara. E eu joguei o remake mais recente do Doom, né, e fiquei maravilhado com o jogo, gostei pra caramba. E, cara, eu posso falar que esse remake, ele é muito fiel ao clássico Doom. É, né, no caso eu joguei a versão anterior depois, posso falar que eu senti ali as inspirações ali quando eu tava jogando a versão clássica. Eu vi: “Ah, tá, isso aqui eles mantiveram na última versão”. E, cara, é bastante, bastante legal, cara. Então, se você gostou da do remake, não deixe de conhecer melhor o original também. Acreditem, isso não é nostalgia. Eu não sou um cara movido pela nostalgia, eu nem tenho tanta nostalgia assim com Doom. Eu tô falando porque o jogo realmente me surpreendeu, e comprar por três reais no Xbox foi uma bela de uma pechincha. E quem quiser comprar a última versão do Doom, né, o Ultimate Doom, pode comprar por nove reais na Steam, ou baixar pirata mesmo, convenhamos, sejamos realistas.

Bem, mas eu só tô pedindo aqui: quem nunca realmente jogou, dê uma chance. É um FPS que vai surpreender vocês e que definitivamente é um dos jogos mais importantes que a gente já teve, cara, principalmente quando a gente fala de comunidade independente, que é um jogo que abriu porta pra muito desenvolvedor, abriu porta pra muita gente que quer mexer com level design e até hoje continua abrindo essas portas. Então, eu deixo aí a dica pra vocês: deem uma olhada em Doom, vale bastante a pena. E, claro, procurem sobre todo o conteúdo independente gerado por Doom, os mods, jogos alternativos, coisas assim. Obrigado e até a próxima!

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