#033 – Receiver
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Transcrição:
Eu sempre achei a engenharia por trás de uma arma de fogo algo muito absurdo, né, algo muito inteligente. Porque se você parar para pensar, a arma de fogo, ela faz todo o trabalho que ela precisa fazer sem a necessidade de uma bateria, de uma pilha, tudo ali com base na energia mecânica e focada na explosão da bala para poder fazer todo o mecanismo da arma funcionar. Basicamente, com uma pistola tradicional, quando você coloca o pente nela, você tem que puxar o slide para trás, que é aquela parte que realmente desliza numa pistola quando você atira, né, você puxa aquela parte para trás, ela vai, assim que você puxa ela para trás, ela pega a bala, a primeira bala que está no pente, e assim que você solta, ela encaixa essa bala dentro da, dentro do cano. E quando você puxa o gatilho, na verdade, quando você puxou o slide para trás, o cão, que é aquela parte que realmente dá um tapinha na bunda da bala para poder fazer a explosão e disparar, esse cão já foi puxado para trás quando você puxou o slide. Então quando você puxa o gatilho, o cão bate na parte traseira da arma, que tem um mecanismo que faz bater na bala e tem a explosão e a bala sai. É exatamente essa explosão que empurra o slide para trás e repete o processo. Isso tudo é muito engenhoso, só que a gente não vê muito disso em alguns FPS tradicionais. Basta só você olhar o sistema de recarga do Call of Duty ou do Battlefield, que são coisas humanamente impossíveis de serem feitas. Foi exatamente nessa curiosidade de como uma arma de fogo funciona e como seria um jogo que trata uma arma de fogo de uma forma como realmente ela deveria ser tratada, foi aí que eu descobri o Receiver, que é um FPS bem experimental que foi feito numa das competições mais importantes do cenário de game independente que é o 7 Day FPS Challenge, que inclusive o SuperHot, que é um game que eu já mostrei aqui nesse canal, ele saiu dessa competição do 7 Day FPS.
Então o Receiver, ele basicamente é um FPS que ele trata a arma do jeito correto. Não, na verdade não é do jeito correto, do jeito complicado. Você, o Receiver, ele te dá o controle total sobre a arma. Você manipula a arma como você manipularia na vida real. É tudo manual. Você tem que puxar o slide manualmente para você tirar o pente da arma é um botão, para você colocar o pente na arma é outro, para você puxar o slide é outro botão. Então realmente no início, no primeiro impacto que você vai ter, recarregar uma arma vai ser um parto, sabe. É realmente bem complicado porque você tem que fazer tudo manualmente. Para você recarregar uma arma você tem que, por exemplo, você achou algumas balas jogadas no chão, então você tem que pegar a arma, tirar o pente, colocar a arma na cintura, colocar bala por bala no pente dessas que você achou separadas no chão, aí você pega a arma da cintura, coloca a arma e puxa o slide para poder encaixar a primeira bala para ela ficar pronta para dar um tiro.
A proposta do Receiver é exatamente essa, é você ter o controle total ali da sua arma e ele é um desses games na categoria de jogabilidade esquisita, né, que eu já até comentei aqui antes, que I Am Bread, Octodad, Surgeon Simulator, o Receiver ele tem uma jogabilidade propositalmente estranha exatamente para te propor uma experiência diferente dos jogos que você tem por aí. Eu sempre falei bastante sobre isso no vídeo sobre o SuperHot, que é a gente precisa sempre de FPSs mais criativos, né, porque é algo que está muito saturado. A indústria de FPS ela satura muito a mesma fórmula. E o Receiver tem uma proposta bem diferente. Ele tem um modo muito parecido com alguns outros games independentes que a gente vê por aí, como Slenderman, por exemplo, que ele é um roguelike. As fases elas são colocadas de maneira aleatória, tudo no Receiver é aleatório e tem permadeath. Se você morrer, o seu personagem não existe mais e você recomeça uma nova história com um novo mapa aleatório. Os mapas eles são completamente aleatórios, a arma que você começa é aleatória, tem três tipos de arma diferentes, são dois tipos de pistola e um revólver. E como esse revólver vem na sua mão é também aleatório. A gente vê número de balas, número de pentes diferente. A arma pode vir travada ou não travada, então você tem que se preocupar com a trava da arma também, porque se você esquecer a arma travada e na hora do aperto você tentar atirar e não for, você morre, cara. Porque basta um tiro ou um monstro ali, um monstro não, né, um equipamento, um bicho, sei lá, encostar em você e você já era.
Receiver, ele teria até tudo para ser genérico, só que mesmo assim ele consegue ainda criar uma ambientação original. A proposta do game, a história dele, é oculta. Eu não vou estragar essa surpresa para vocês, mas envolve mente, envolve ficção científica. Eu acho bem legal. E o objetivo dele, na verdade, é você pegar onze fitas cassete que estão espalhadas pelo cenário. Eu não cheguei nem perto de pegar a metade. É um jogo muito difícil. É o tipo game que você vai, assim como a maioria dos roguelikes, o importante não é você botar final, o importante é você sentar, jogar e se divertir. Botar final não é o foco. Então acho que eu já me alonguei demais. A proposta do Receiver é exatamente trazer essa experiência de um controle total de uma arma. Ele foi feito pela empresa Wolfire Games, que é uma empresa que eu tenho uma estima muito grande porque eles têm o game que eu estou muito em cima, né, que é o Overgrowth, que é outro game que vai estar nessa lista, pelo menos assim que ele for lançado, porque ele está em desenvolvimento, ele está muito em alfa ainda. O Receiver, ele está disponível por cinco dólares ou, se você comprar o Overgrowth agora na pré-venda, você ganha o Receiver gratuito. É um game que vale bastante a pena se você gosta de arma de fogo, se você gosta desses tipos de complexidades, e é um game que eu adoraria de paixão ver um multiplayer, coisa que infelizmente não vai acontecer. Só que boa parte da proposta do jogo independente é isso, ele pega algo que já existe e te dá uma visão nova, ele te dá perspectiva de algo que pode vir pela frente. Então eu adoraria ver um game que fosse um pouquinho mais complicado no FPS, tivesse uma recarga um pouco melhor, assim como Arma 3 tenta fazer, só que pelo menos um pouco mais leve que rode no meu computador. [Risos] Então se você gosta da ideia, você tem que jogar Receiver.
Descrição do Vídeo
Jogue Receiver aqui:
http://www.wolfire.com/receiver
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Música da Vinheta: Super Meat Boy: Forest Funk