#345 – Last Dive + Gabriel da Pixel Cows

29 de outubro de 2014

Transcrição:

Last Dive é um jogo gratuito vindo de uma jam, que é o tipo de jogo que eu mais gosto de apresentar aqui, né, que são esses joguinhos gratuitos curtinhos com alguma ideia completamente singular e original e principalmente quando a gente fala sobre um game brasileiro, que eu posso trazer o desenvolvedor aqui pra poder falar um pouco sobre a sua criação e eu tô aqui com ele, Gabriel da Pixel Cows. Se apresente, cara. Fala aí quem é você, de que lugar da internet você vem, fala da sua empresa.

Gabriel da Pixel Cows: E aí, galera, tudo bem? Eu sou o Gabriel, eu sou metade atualmente da Pixel Cows. Nós somos um estúdio aqui independente de desenvolvimento de jogos. Na verdade, é composto atualmente por mim e pelo meu primo. Ele é o programador, o João Pedro, e eu faço basicamente todo o resto, né, pixel art, roteiro, etc.

Kiliano Lopes: Ô, bacana! Então, o game que eu vou trazer aqui hoje é o Last Dive, que é um joguinho que começa com um clima já meio tenso, né, um mergulhador aí que tá descendo e rompe o seu cabo pra ele poder voltar, então ele se encontra perdido no oceano, só que é um game que te aguarda várias surpresas, né? Eu não vou falar nenhum spoiler daqui, a gente vai falar sobre uma coisa ou outra, mas se você acha que talvez isso possa estragar sua experiência, eu sou a favor de você ir jogar esse game sem esperar absolutamente nada, então pause esse vídeo, vá jogar, é um joguinho bem curtinho. Então, Gabriel, vou te dar um pouco o microfone aí pra você poder falar sobre esse projeto. Fala aí, qual de qual é do Last Dive?

Gabriel da Pixel Cows: Cara, o Last Dive ele, assim, é um jogo pra Ludum Dare, né? A gente participando em equipe acaba estando sujeito a essa restrição de fazer um jogo do começo ao fim em três dias. É óbvio que são três dias que a gente praticamente não dorme, come correndo, etc. E o tema que foi anunciado pra esse jogo era “Beneath the Surface”, ou seja, “Sob a Superfície”. E a gente pensou: bom, vamos fazer um jogo que é sob a superfície, mas a gente não quer que seja uma coisa muito óbvia. E o que é engraçado é que de todas as ideias que a gente passou praticamente o primeiro dia inteiro pensando, talvez fazer uma coisa sobre o oceano, no oceano, fosse uma das mais óbvias. Então a gente se sentiu no compromisso de colocar mais camadas de significado pra ideia de fazer uma coisa sob a superfície, então ele ser só no oceano é quase um bônus assim, um brinde, né?

Kiliano Lopes: É, exatamente. E, cara, uma das coisas que eu mais gostei foi o fato de que ele é um jogo de plataforma, né, entre aspas de plataforma assim, 2D, só que ele ainda consegue apresentar uma jogabilidade bastante original, né? O seu personagem ele não corre, ele vai ter que dar pulinhos. Então é bem interessante assim a maneira que você se coordena pra poder passar dos desafios, já que você não pode correr e sair pulando por aí. Como é que foi a decisão dessa jogabilidade? Fala um pouco sobre as decisões de design do Last Dive.

Gabriel da Pixel Cows: A primeira coisa, primeiríssima coisa que a gente decidiu fazer quando a gente conseguiu fechar em alguma ideia foi tentar simular essa sensação de você estar preso numa dessas armaduras de mergulho, com movimento muito restrito. Então assim, mesmo quando o jogo ainda não tinha história, não tinha ambientação definida nem nada, a gente só sabia que era um cara, um escafandro desses antigos no fundo do mar. A primeira coisa que a gente tentou fazer foi dar essa sensação de limitação da movimentação. Então foi, por exemplo: pô, e se o cara não puder andar? Ele tiver que, assim, mesmo com o movimento mais leve dele como um pulo. E aí, pra ser sincero, a gente até se inspirou no caminhar de um astronauta, né, foi o paralelo que a gente achou, e todo o resto que cerca com relação à parte audiovisual foi o que a gente focou em seguida. Então foi basicamente fazer os efeitos de gráficos, né, pra simular oceano, e foi a primeira coisa que a gente fez. Aí a gente pensou: bom, a gente tem que expandir e usar de outras formas, né? Aí a gente testou algumas mecânicas diferentes de pulo. Quando a gente chegou nesse conjunto, que no final acabaram ficando três tipos de pulo, a gente percebeu que já tava rico o suficiente pra segurar, vamos dizer, vinte minutos, meia hora de gameplay, fazendo desafios que vão mudando razoavelmente, e que era o suficiente pra gente conseguir contar uma história nesses vinte, trinta minutos. Então foi aí que a gente definiu que tava mais ou menos pronta a mecânica.

Kiliano Lopes: E eu sempre encho a paciência de todos vocês aí que acompanham o canal pra vocês poderem participar de jams, tem a Ludum Dare, tem outras jams pequenas, teve a Game Boy Jam que eu incentivei, que eu participei inclusive, incentivei vocês a participarem também, que muitas vezes essas jams elas não são só pros desenvolvedores, elas também são pro cara que tá consumindo ali conteúdo, pro desenvolvedor amador ali, pro cara que flerta aí com o desenvolvimento. É muito fácil você conseguir desenvolver um game hoje, se expressar dessa forma, e uma jam é uma das formas que eu mais recomendo assim pras pessoas começarem, né, por estarem lidando com um prazo curto. Obviamente não foi a primeira jam sua, né, que foi essa Ludum Dare, você já passou por muitas outras.

Gabriel da Pixel Cows: Já, e é legal até você comentar porque assim, pra ser sincero, a primeira vez que eu participei de jam foi em abril de 2012, foi pra uma Ludum Dare também. Mas assim, antes a gente nunca tinha feito nada desse tipo, a gente só tinha aqueles projetos de anos e anos de duração, que acaba sendo o perfil mais comum do desenvolvedor que tá começando, o cara faz um jogo que o projeto dura três anos, quatro anos, etc. E pra ser sincero, foi como eu te falei, eu e meu primo fazemos jogos juntos há muitos anos, há muitos anos. Eu comecei a programar com dez anos de idade, hoje eu já tenho trinta, então você vê que é uma pista aí. Mas eu considero que eu só aprendi, só comecei a aprender de verdade, assim numa velocidade real, assim mais profissional, depois que comecei a participar de jam. É uma experiência assim, é transformadora nesse nível. Você ter que entregar um negócio em três dias, não tem desculpa que você pode dar: “ah, não, se eu botar mais uma semana vai ficar bom”. Cara, não tem desculpa. O prazo não é negociável. E você vai botar aquele jogo seu pro público, então você vai receber feedback honesto, tanto a parte boa como a parte ruim. Cara, não tem nada que te faça aprender a se desenvolver mais rápido como desenvolvedor de jogos do que isso, na minha opinião.

Kiliano Lopes: Então fica aí o recado, coisa que eu já buzinei na cabeça de todos vocês e não vou parar de buzinar tão cedo. E não deixem de conferir Last Dive, que é um joguinho muito interessante, gratuito, você pode baixar aí, são vinte minutinhos no máximo ali de gameplay e não se prendam só à jogabilidade que vocês tão olhando aí. Ele é um jogo muito profundo, ele fala sobre várias coisas que eu nem vou mencionar aqui, mas é com certeza vai ser um jogo que vai tocar o coração de vocês. E você tem que jogar Last Dive.

Descrição do Vídeo

Jogue Last Dive aqui:
http://ludumdare.com/compo/ludum-dare-29/?action=preview&uid=11099

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