#041 – Don’t Look Back

3 de novembro de 2013

Transcrição:

Na mitologia grega, uma das minhas histórias preferidas é a história de Orfeu, que era um músico que se apaixonou por uma mulher chamada Eurídice, e se casou com ela. E essa mulher era extremamente linda, e por causa de um acidente ela acabou morrendo. E isso fez Orfeu ficar completamente maluco e transtornado de tristeza, o que fez ele ir até o inferno para tentar buscar ela de volta. E passando por um perrengue danado, ele usou toda a sua sabedoria e todo o seu talento musical para poder passar pelos desafios do inferno até conseguir chegar no Hades para poder trazer a mulher dele de volta. E por exemplo, ele usou a música, a beleza da música dele para poder adormecer o Cérberus para poder passar por ele, e isso ele usou também para poder convencer o Hades de conseguir soltar a mulher dele de volta do mundo dos mortos para trazer com ele para o mundo da superfície. E toda a beleza da música dele conseguiu convencer Hades a deixar Eurídice ir com ele de volta, com uma única condição: que ele poderia voltar com Orfeu, só que ele não poderia olhar para ela enquanto estivesse à luz do sol. E quando eu fiquei sabendo que Don’t Look Back se tratava exatamente sobre essa história de Orfeu, eu fiquei bastante surpreso porque nos cinco minutinhos da primeira jogatina não me deixou entender o que que significaria Don’t Look Back ou qual a ligação que isso teria a ver com a história de Orfeu. Só que isso se resolve quando você chega mais ou menos na metade do jogo, que é quando você julga ser o final, que é quando você acha sua mulher, né? Você acha Eurídice. E exatamente quando você encontra ela, ela tá num formato mais ou menos como se fosse uma alma, né? E que exatamente no meio do puzzle ele muda um pouco a sua forma de jogar. Depois que você chega no final e consegue pegar sua esposa de volta, você tem que voltar o caminho que você fez sem olhar para trás, sem ter que olhar para ela senão ela vai se desfazer no ar, como acontece na história de Orfeu, que na história de Orfeu quando ele tá para sair da caverna, ele vai verificar se ela tá com ele e acaba olhando para ela e a alma dela some. E o final da história de Orfeu é um final bem melodramático, extremamente bonito e um pouco triste, o que eu não vou dar spoiler sobre o final do game, mas que ele te reserva uma surpresa bem reflexiva, né? O game foi feito por um desenvolvedor só, chamado Terry Cavanagh, céus, nomes de desenvolvedores são complicados. Terry Cavanagh, Cavanagh? Não sei. Terry Cavanagh, foi feito em 2009 só por esse desenvolvedor e já teve um grande destaque no meio independente pela direção de arte incrivelmente maravilhosa que ele consegue fazer algo realmente muito bonito usando o som e uma quantidade muito pequena de cores e uma resolução extremamente baixinha. Então ele consegue mais uma vez provar que não só para os games independentes mas como os games em geral, que o gráfico não é nada em comparação com a direção de arte. Don’t Look Back é um jogo extremamente rapidinho, você vai demorar ali sete, oito minutos e você tem que jogar Don’t Look Back.

Descrição do Vídeo

Jogue Don't Look Back aqui:
http://www.kongregate.com/games/terrycavanagh/dont-look-back

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Música da Vinheta: Super Meat Boy: Forest Funk

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