#060 – Papers, Please
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Transcrição:
Claro, aqui está a transcrição do áudio do vídeo:
A primeira vez que eu ouvi falar de Papers, Please, assim como muita gente, a minha reação foi de estranheza em saber que existe um jogo de burocracia e que em Papers, Please você é um funcionário de uma fronteira e que tem que avaliar a papelada das pessoas que querem entrar no seu país. Esse país de nome complicado chamado Arstotzka, Arstotzka… não sei, leiam aí. É um país que está em fronteira com outro país chamado Kolechia e eles estavam em guerra durante seis anos e a relação entre os dois é extremamente volátil, não só entre eles como a relação dos outros países vizinhos. E o seu trabalho ali da fronteira é averiguar o passaporte e a documentação das pessoas que estão querendo entrar pra ver se acha alguma irregularidade ou não, pra deixá-las passarem ou não. Uma das primeiras coisas que a gente aprende sobre games, principalmente por questão do desenvolvimento e sobre gamificação, é fazer com que aquele game não se torne um trabalho. Por exemplo, Minecraft, por mais que ele pareça um trabalho de minerador, ele está extremamente longe disso, né? E é o julgamento precipitado que afasta muita gente de Papers, Please achando que você vai sentar ali e vai ter que trabalhar. E na verdade não é isso que acontece. É um clima extremamente pesado em que você está na fronteira de um país e aqueles países lembram muito a União Soviética e exatamente em torno de tudo aquilo é mais do que simplesmente você averiguar papéis. Você tem que lidar com coisas que acontecem no seu dia a dia como propina, dilemas particulares, né? Como por exemplo: uma pessoa está querendo entrar no país pra ficar lá permanentemente e os documentos dela estão ok. Aí ele fala: “ah, minha esposa está vindo logo em seguida, tá?”. Aí você vê que no erro dela claramente tem um erro de digitação ou que está faltando algum documento e você tem que barrar ela, sendo que você já passou o marido dela. Só que você pode escolher resolver passar a mulher, só que você vai ser penalizado em dinheiro por isso. E o que surpreende muita gente é que com o passar do tempo, na verdade o jogo é dividido por dias, no final do dia você tem que gerir o dinheiro que você recebe, o que te faz realmente pesar ainda mais a decisão de infringir uma lei aqui ou ali, ou por um dilema pessoal, ou por arriscar em ganhar mais dinheiro porque você tem uma família pra poder cuidar. Você tem que cuidar da sua mulher, do seu filho, do seu tio e da sua sogra que moram com você e a grana muitas vezes não dá pra você comprar comida pra todo mundo e nem pra você comprar aquecimento pra todo mundo. Então muitas vezes você vai se pegar no flagra deixando de comprar comida pra comprar remédio pro seu filho que está doente. Essa gestão ela não é o foco principal do jogo, mas ela traz uma realidade e um peso muito maior pras suas decisões. A ambientação de Papers, Please é sensacional, tanto como música como gráfico. Ele tem um trabalho de som muito interessante, eu gosto do barulho do carimbo e a própria ideia, a jogabilidade de você mexer com os papéis ali na mesa, realmente te faz sentir ali. E eu fiquei muito surpreso em saber que esse jogo foi feito por uma pessoa só: Lucas Pope, que eu vejo muito em game independente que muitas vezes é terceirizada a música ou os gráficos porque ninguém é genial sozinho, só que esse cara parece que é porque os gráficos, a música, a jogabilidade, o desenvolvimento, tudo foi pensado por essa pessoa sozinho. Então realmente você está pegando ali uma experiência extremamente particular desse desenvolvedor. E o game ele não é só limitado a essas decisões, você vai ter que lidar com moralidade, você vai ter que lidar com a ideia de liberdade, com responsabilidades, porque tem um grupo de rebeldes surgindo aí que pode tentar derrubar a ditadura ou não e basta a você escolher isso e se envolver nessa história. Papers, Please é um dos melhores jogos que eu já apresentei aqui, ele é um jogo que me surpreendeu muito, então não tenham preconceito com esse puzzle sensacional, com essa ambientação maravilhosa, um trabalho de trilha incrível e uma direção de arte inesquecível e única. Você tem que jogar Papers, Please.
Espero que esta transcrição seja útil! Se precisar de algo mais, é só pedir.
Descrição do Vídeo
Jogue Papers, Please aqui:
http://papersplea.se/
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Música da Vinheta: Super Meat Boy: Forest Funk