[must play!] Dys4ia + Alice Raabe

2 de setembro de 2015

Transcrição:

Kiliano Lopes: Eu sempre gosto de trazer algumas experiências pessoais aqui pra vocês, pessoais no sentido de que são expressões artísticas puras, né? E eu tenho o prazer de trazer um game aqui pra vocês que marca a vida de algumas pessoas. Muita gente não se identifica com esse tipo de game, só que o mais importante é que ele bate exatamente num nicho que raramente se identifica com o que a indústria anda fazendo. E é por isso que existe os jogos independentes, né? E eu trouxe aqui uma querida convidada, a Alice. Por favor, diga aí quem é você e de que lugar você vem? Você tem um site, um Twitter, alguma coisa?

Alice Raabe: Eu sou a Alice e por enquanto eu não tenho nenhum site, posso fazer alguma coisa, mas tô aqui e eu sou uma dessas pessoas que se identifica com essa história.

Kiliano Lopes: E eu tô aqui pra falar de um game muitíssimo interessante, que é o Dys4ia. E Alice, eu vou te dar o microfone agora, fala um pouquinho pra gente aí o que que é esse jogo.

Alice Raabe: Dys4ia é a autobiografia da Anna Anthropy, que é uma desenvolvedora que ela é transexual e ela conta como que foi a mudança da vida dela. Isso vai em fases, cada fase uma mais bagunçada que a outra.

Kiliano Lopes: É um game que ele traz umas experiências muito pessoais, né? Fala aí, como é que foi a sua experiência com esse jogo? Como é que você conheceu ele e em que ele mudou a sua vida?

Alice Raabe: Me apresentaram esse jogo e eu fui meio, sei lá, o que que é isso? Nessa época eu tava na minha dúvida com relação a minha transição. Ah, pra quem não sabe, eu sou trans, então. Ele me deu muitas, muitas luzes pra algumas coisas. Conforme ia fazendo a minha transição, muita coisa ia batendo e o jogo, ele te coloca fases, mas cê vê que o a transição toda, na verdade, não é um joguinho de fases, cada um vai por um caminho diferente e vai fazendo coisas diferentes. É só uma jogabilidade simples e vai te guiando pra pela história pra você realmente absorver e aproveitar aquilo.

Kiliano Lopes: Sim, e ele me lembrou até num ponto assim do do To the Moon, né? Por mais que que sejam jogos extremamente diferentes, mas o foco dele principal ali não é a jogabilidade, não é não é você ganhar ou perder, entendeu? Ele tá ali pra poder te contar uma história e eu acho interessantíssimo como ele consegue expressar alguns sentimentos colocando na questão de jogabilidade, né? Ele meio que ele te coloca vários, entre aspas, minigames, né, pra você simbolizar algumas etapas da vida da Anna.

Alice Raabe: É, e ele não pensa em tipo jogabilidades supercomplexas. A dificuldade, por assim dizer, se você quer considerar como um jogo, é porque cada vez aquilo muda, você não sabe o que tá acontecendo. Tem uma vez, algum um dos minigames que muda e você só vê um monte de pessoas e cê fica tentando descobrir: “Tá, e o que que eu tô fazendo aqui nele?”. Até que depois de um bom tempo cê descobre: “Ah, era isso que eu tava aqui”.

Kiliano Lopes: E é um game bem emocionante, né? Principalmente quando você olha que é autobiográfico, então ele carrega muita personalidade própria, muita intimidade.

Alice Raabe: Cheio de metáforas também.

Kiliano Lopes: Sim, muito metafórico.

Alice Raabe: Se eu fosse descrever esse jogo em uma palavra, seria “chocolate”. Tem uma das fases ali que ela fala que o chocolate virou a coisa mais deliciosa do mundo e eu pensei: “Ah, que engraçado”. Quando eu antes de eu começar a transição. E depois que eu comecei a transição, eu fui vendo que, meu Deus, chocolate é a melhor coisa do mundo.

Kiliano Lopes: Isso é legal, cara. Eu tava vendo um vídeo do do Extra Credits, que eu vou inclusive deixar o link aí pra vocês poderem verem, que ele fala sobre uma decisão de design do jogo Rust, né? Em que ele coloca a raça da pessoa, a raça falando sobre a etnia, né? Ele coloca a etnia, a cor da pele da pessoa de forma aleatória e isso completamente ligado ao usuário do Steam, então não tem como a pessoa trocar isso. E algumas pessoas que a maior meio que a maioria dos jogadores, né, que a pessoa o homem branco caucasiano muitas vezes se vê vítima de racismo é algo totalmente colocado num ponto de conforto bem distante, né? E as pessoas começam a pensar sobre identificação, né? Às vezes às vezes no nos reviews do do Rust algumas pessoas deixaram de jogar por não se identificar com aquele personagem que foi proposto pra ele, sendo que às vezes as pessoas não pensam que as pessoas que são as minorias que tão em naquela posição já raramente se identificam com o que anda sendo colocado na mídia, sabe? Então, é esse tipo de jogo é extremamente importante que exista, sabe? Algumas pessoas precisam se identificar com alguns tipos de jogos e esse jogo tá aí pra isso, cara, e sem dúvida vale muitíssimo a pena ser jogado. Ele tava disponibilizado gratuitamente antigamente, hoje ele é um jogo pago, ele custa cinco dólares. Pra você que não gosta muito da ideia de cê pagar cinco dólares por um jogo que você vai gastar cinco minutos, eu ainda insisto, eu acho que vale a pena você viver um pouquinho essa experiência, sentir um pouquinho aquilo ali e principalmente incentivar a desenvolvedora, né, a continuar produzindo esse tipo de conteúdo de nicho.

Alice Raabe: Ah, queria recomendar, tipo, conhecer os outros jogos dela, os outros trabalhos dela. O livro que ela escreveu é excelente, o Rise of the Videogame Zinesters. Eu fiz questão de comprar esse livro porque ele fala de dessa questão do de como surgiram pessoas diferentes fazendo jogos-arte porque é, no começo, era tudo muito complicado, agora é bem mais tranquilo se fazer jogo. Até a capa do livro diz, né? Como malucos normais, amadores, artistas, sonhadores, dropouts, não sei qual que é a tradução, largados, queers, donas de casa e pessoas como qualquer outra estão falando sobre arte no sobre videogame numa forma de arte. É excelente, sabe? O trabalho que ela faz pras pessoas.

Kiliano Lopes: Poxa, é excelente porque isso que você descreveu é exatamente o que eu quero trazer aqui pro canal: expressões artísticas singulares de pessoas que normalmente não são desenvolvedoras de games no sentido de não viverem disso, mas elas querem se expressar de alguma forma e colocar o videogame como uma forma de expressão de arte é simplesmente sensacional. E você tem que jogar Dys4ia.

Descrição do Vídeo

Jogue Dys4ia aqui:
http://wizardofvore.itch.io/dys4ia

Vídeo do Extra Credits sobre Rust:
https://www.youtube.com/watch?v=eh1zfdUTqBY

Livro da Anna Anthropy:
http://www.indiebound.org/book/9781609803728

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Quem está por trás do 365 Indies:
Kiliano Lopes, web designer, 28 anos, Governador Valadares - MG

Músicas das Vinhetas:

Must Play: Forest Funky (Super Meat Boy)
Preview: Run (Canabalt)
Divine Combat (Binding of Isaac)
Ballad of Burning Squirrel (Super Meat Boy)
Track B (Gravity Hook)
Time Donkey (100 tacos)

Thank you mr. Danny Baranowsky

News: BeatBuddy Soundtrack

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