#288 – Gone Home

31 de julho de 2014

Transcrição:

Gone Home provavelmente foi o jogo mais importante de 2013 por ele mostrar pro mercado de games que existe mais de uma forma de se contar uma história. Esse jogo segue a história da Kaitlin, que é uma garota que tava na Europa fazendo uma viagem, e quando finalmente retorna pra sua casa nos Estados Unidos, encontra ela completamente vazia. Seus pais não tão lá, sua irmã não tá lá, e cabe a você fuçar por toda a casa em busca dos paradeiros dos seus pais, da sua irmã, tentando procurar pistas de onde eles estão, o que que aconteceu. E é um game que te deixa completamente livre por essa casa pra você fuçar e mexer no que quiser.

Por mais que não pareça, esse game não é um jogo de terror, só que ele consegue criar uma atmosfera tão envolvente que me lembrou bastante coisa aí da minha infância e um pouquinho da minha adolescência também, quando a gente fica sozinho em casa e as coisas parecem mais aterradoras do que realmente são. Às vezes você escuta um trovão ou uma torneira ligada, e só aquilo ali consegue criar uma atmosfera que te deixa bastante apavorado. Só que aí depois você vê o que realmente é, e dá uma risada de canto e continua a explorar a casa.

Gone Home não é sobre susto, não é sobre isso, tanto que ele tem até um modo pra você jogar com as luzes da casa ligadas, mas ele se foca inteiramente na narrativa e pra poder construir uma história em cima daquilo ali, você descobrir a história das pessoas daquela casa ali de pouco a pouco. O seu envolvimento com elas, mesmo sem ter nem sequer visto ou conversado com elas, se torna um envolvimento quase íntimo. Você quase começa a conhecer aquelas pessoas, os seus trejeitos, as suas histórias, as coisas que aconteceram na vida delas, como elas tão, o relacionamento entre elas.

Gone Home é o primeiro jogo da Fullbright Company, que é uma empresa feita por quatro pessoas, e esse game conseguiu notas e uma visibilidade enorme na mídia especializada de games. Mas o principal disso não é nem pelo jogo em si, e sim pela importância que ele tem, o peso que ele tem no meio de desenvolvimento de games, mostrando pros desenvolvedores que tem mais de uma forma de você contar uma história e que você não precisa ficar preso a mecânicas tradicionais, como o próprio FPS, né? Por mais que seja um jogo em primeira pessoa, não tem uma arma na sua cara ou não tem nenhum bicho vindo te dar um susto. Ele consegue usar a ideia da solidão ali na sua casa pra te contar, pra criar uma ambientação, pra te contar uma história, pra te fazer se envolver com os personagens sem ter que forçar a barra, sem ter que nem mostrar esses mesmos personagens.

Esse game é um game relativamente curto, né? Ele tem mais ou menos umas 4 horas de duração. Ele é um pouco curto se for comparar com o preço, né, que ele custa R$ 37. Se você achou caro, espere uma promoção, mas não deixe de jogar esse jogo, porque ele é uma experiência bem única que você vai ter com um game. É algo que você não tá muito acostumado, né? Ele te jogar assim numa casa sem um objetivo aparente, é simplesmente descobrindo as coisas ali. O game design é muito bem-feito, você realmente sente que é uma casa de verdade. Cada objeto, cada coisa tá ali pra contar um pedacinho de uma história, pra te passar uma mensagem, e você conseguir enxergar o objetivo de cada coisa ali, você entender que aquela caixa de pizza tava ali por causa de uma coisa que aconteceu e entender a trajetória das pessoas pela casa por peças de roupa jogadas no chão ou por uma lata vazia de refrigerante, e entender os problemas que o seu pai tá passando por uma carta que um amigo da sua irmã escreveu pra ela, e um papelzinho jogado na gaveta do escritório do seu pai consegue te contar uma história e dar uma profundidade pra esses personagens que você vai acreditar que você conhece eles há bastante tempo. E quando terminar esse jogo, você vai até sentir uma certa saudade e vai ficar curioso pra saber o futuro que foi destinado a esses personagens, você realmente vai se importar com eles.

Gone Home é um dos jogos mais importantes que já apareceram aqui no 365 Indies, principalmente por mostrar à indústria de jogos que as coisas não precisam ser dessa fórmula tradicional que todo mundo tá acostumado pra você ser um sucesso de crítica, um sucesso de vendas, e que as pessoas podem se arriscar. E o risco é algo que a gente vê sempre muito no nicho independente e que quando é assertivo, como nesse jogo, pode mudar talvez um pouco dessa história e contribuir pra um universo de games mais inteligente e mais ousado. Só lembrando que esse jogo tá inteiramente em português, traduzido pelo pessoal do Jogabilidade. Eu vou deixar o link da tradução aí pra você também baixar e instalar no seu jogo, o que é mais um motivo pra você apreciar essa obra de arte. Você tem que jogar Gone Home.

Descrição do Vídeo

Jogue Gone Home aqui:
http://store.steampowered.com/app/232430/

Tradução de Gone Home pelo Jogabilida.de
http://steamcommunity.com/app/232430/discussions/0/864977026114863050/

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- Thank You Mr Baranowsky =)

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