#347 – Aritana e a Pena da Harpia + Rafael da Duaik
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Transcrição:
Muitos de vocês já conhecem o game de hoje, Aritana e a Pena da Harpia. Não é uma novidade tão grande assim pra você que acompanha o mercado independente brasileiro, por ter sido um jogo que fez um sucesso bastante interessante, né? Se falou muito sobre esse jogo, principalmente olhando a parte artística, chama muita atenção. E eu trouxe aqui hoje um convidado para poder falar sobre esse game. Por favor, querido convidado, diga aí quem é você e de que lugar da internet você vem.
Rafael da Duaik: E aí galera, beleza? Meu nome é Rafael, eu sou de São Paulo mas moro em Florianópolis há um bom tempo. Eu participei da parte de arte no time do Aritana e a Pena da Harpia.
Kiliano Lopes: Eu sempre fico muito feliz de trazer desenvolvedores aqui para falar dos seus próprios games, né? Como vocês puderam conferir aí no jogo de quarta-feira e em várias outras vezes aqui também, o Saulo para poder falar do Knights of Pen & Paper. É sempre muito bom trazer o desenvolvedor aqui pra ele poder passar um pouco mais do lado, do lado do desenvolvimento mesmo, do lado artístico da coisa, ter alguém para falar com propriedade do próprio game. Eu sinto coisas muito legais ali, eu sinto uma inspiração, inspirações muito interessantes, e eu quero te entregar o microfone para você falar um pouquinho mais sobre o seu jogo.
Rafael da Duaik: As inspirações do Aritana são bem dos, dos plataformas clássicos, né, da década de 90, que a gente cresceu jogando eles, né? Donkey Kong, Crash Bandicoot, Sonic. Antes de ter o tema indígena pro nosso jogo, a gente sabia que a gente queria fazer um jogo de plataforma, né? Até porque todo mundo é fã de jogos de plataforma e para um primeiro jogo assim, como a gente tinha pouca experiência em fazer jogos, a gente viu que era uma opção interessante para aprender.
Kiliano Lopes: E, quando eu vi o Aritana pela primeira vez, eu até cheguei e falei: “Não, esse jogo não vai entrar na lista porque ele não é um jogo independente. Olha só que direção de arte caprichada, bem trabalhada”. A gente às vezes leva um susto quando vê o tamanho da equipe ou vê a propriedade intelectual que ela surge ali de poucas pessoas, como por exemplo o Papo & Yo, né? Que é um game que eu já apresentei aqui no canal que tem uma direção de arte lindíssima, um 3D muito bem trabalhado. E você assusta: “Pô, um jogo feito por poucas pessoas que tem uma visão artística singular”. E a mesma coisa do Aritana, né? Eu acabei conhecendo vocês na BGS, conversei um pouquinho lá, e vi que vocês são uma equipe bem pequena, né?
Rafael da Duaik: É cara, são quatro pessoas na equipe. No começo era só o Ricardo e o Persis, eles que começaram com o projeto do jogo, depois eu entrei para ajudar na parte da arte, na parte da implementação, na parte mais de arte-tech também. E depois entrou o Vitor um pouco depois para fazer a trilha sonora, né? O Vitor, ele criou um CD inteiro só com a trilha sonora do jogo e ele fez também as vozes, né, a voz do Aritana, a voz do Mapinguari. Então igual você falou, é uma equipe pequena, quatro pessoas, e na realidade todo mundo colocou a mão um pouco em tudo, né? O Persis fez boa parte da arte conceitual, da parte de interface. O Ricardo fez muita coisa de animação também. Todas as partes de cutscenes ali o Ricardo que desenhou, eu ajudei ilustrar algumas, mas ele que animou tudo, foi tudo feito desenhado à mão, né? E eu cuidei dessa parte do 3D mesmo, da parte de efeitos especiais, da parte de post-effect de câmera, e de modelagem 3D também, textura, foi boa parte aí que eu participei.
Kiliano Lopes: Trabalho lindíssimo, diga-se de passagem. E a, mas a o conceito do jogo em si de você trabalhar um folclore, é um folclore brasileiro, né?
Rafael da Duaik: É então, a gente pegou bastante coisa da cultura indígena, né? Bastante coisa de folclore indígena. Na realidade a gente pegou coisa demais até, que a gente teve que engavetar muita coisa pro jogo não, a gente não queria que desse uma carga cultural muito grande porque a gente acabou vendo que são histórias ricas, né, e elas exigem que você conte elas direito. Então se você pega o Aritana, a história de background do Aritana é bem simples, né? Então você tem o cacique que ficou doente e você tem que pegar uma pena. Então é o herói que vai atrás de um item para um bem maior. Então a gente preferiu colocar, colocar essa parte cultural para ilustrar mesmo, né? Você tem o Mapinguari, que ele é uma lenda da Amazônia bem famosa, que ele é esse bicho preguiça com uma boca na barriga e de um olho só. Então não, essa parte cultural mesmo a gente conseguiu, eu acho que a gente conseguiu passar ela legal porque são alguns elementos da cultura indígena que a gente transcreveu eles pro jogo de uma forma legal, pro pessoal querer saber. Que nem a muiraquitã, por exemplo, que é um item que você coleciona para poder entrar no mundo espiritual. O pessoal chama de bisourinho, bisourinho verde. Mas você pega o artefato muiraquitã e ele é usado em diversos rituais indígenas, né? Ele chega até a ser balaio, na realidade, porque são tantos rituais que ele é usado que ele acaba se tornando um artefato comum. Então a gente usou ele exatamente pra isso, vamos pegar esse artefato para fazer alguma coisa interessante dentro do jogo.
Kiliano Lopes: Pô cara, sensacional. O tipo de jogo que a gente enche os olhos assim de olhar e também eu vim aqui pelo menos testar que o gameplay é bem gostoso. Ele tem uma mecânica interessante de você meio que trocar os poderes ali do personagem, né? Você troca ele com o tempo, o que muda diretamente a jogabilidade, é muito criativo, bem interessante. Tem uma pegada forte em Donkey Kong, os jogos de plataforma igual você disse que a gente cresceu jogando. É interessante ver esses tipos de inspiração. Você pode comprar ele, né? No Steam por vinte e seis reais. É impressão minha ou tem uma mídia física dele também?
Rafael da Duaik: Então, tem. Tem a mídia física dele, tá vendendo em algumas livrarias, né, acho que Submarino, Saraiva. Acho que no nosso site lá tem todos os lugares que tem a mídia física. Mas ele principalmente tá no Steam, na Splitplay, Nuuvem e Fullgames também, se não me engano. Mas é principalmente no Steam, né.
Kiliano Lopes: Sim, excelente. Então não deixem de conferir esse jogo nacional muito lindo, com uma jogabilidade bastante interessante. Não porque ele é nacional, mas porque ele é bom mesmo, é algo que eu canso de falar aqui, nenhum jogo entra aqui por cota, né? Tanto que enfim, teve vários jogos que ficou de fora e muitas vezes eu descubro que o jogo é nacional depois de colocar ele na lista. Cara, Bonsai Simulator, feito por dois brasileiros, eu não sabia, cara, mesmo eles não estando aqui no Brasil, é um DNA brasileiro ali na equipe, é bem interessante você descobrir isso depois que você experimenta, né? O Rogue Legacy também, que pô, tem um puta DNA brasileiro ali na arte, é bem interessante descobrir isso depois que você experimenta, né? Então não deixem de conferir esse joguinho sensacional e você tem que jogar Aritana e a Pena da Harpia.
Descrição do Vídeo
Jogue Aritana e a Pena da Harpia aqui:
http://store.steampowered.com/app/314360/?l=portuguese
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Kiliano Lopes, web designer, 27 anos, Governador Valadares - MG
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