Violência nos games e a mídia tradicional [random]

7 de abril de 2017

Transcrição:

Bem, aqui na minha cidade eu tô entrando em um projeto em que basicamente vou fazer algumas palestras sobre videogame, para pessoas que não são tão envolvidas assim com videogame. E sempre acaba caindo no assunto de violência nos jogos, e meio que nem era o foco do que eu ia falar nessas palestras, nesses eventos, mas sempre alguém vem me falar: “Kiliano, o que você acha de violência nos jogos?”. E bem, eu tenho um ponto de vista bastante firme e sólido sobre isso, e eu queria passar um pouco disso aqui para vocês e puxar um pouco de reflexão sobre isso e talvez mostrar que muitas vezes a mídia é bastante cruel com os videogames e bastante injusta. E tudo isso é culpa da mídia tradicional.

Antes de mais nada, eu quero salientar que eu sou totalmente a favor dos jogos violentos, porque eu sou a favor dos jogos. Simplesmente isso. Gente, eu sou um adulto, tenho 30 anos. “I’m old”. O mundo está cheio de adultos. Por favor, façam conteúdo de adultos para os adultos! Obviamente a violência acabou sendo uma decisão até preguiçosa para muitos jogos, às vezes bem desnecessária, porque a gente já tá tão acostumado a jogar jogo violento e se acaba saindo por baixo do radar. Mas a crítica que eu tô querendo fazer aqui, a mensagem que eu tô querendo passar, não é não é tão a respeito dos desenvolvedores usarem a violência como o primeiro patamar antes de pensar em outra coisa, ou talvez seja uma decisão preguiçosa. Definitivamente não é sobre isso. E sim, como a mídia tradicional muitas vezes é injusta e pega firme com os jogos, sendo que outras mídias fazem coisas muito parecidas ou até muito piores, e isso fica jogando por baixo dos panos: “Ah, não é relevante, ah, não é isso”. Como a gente, por exemplo, tem muito mais incidentes violentos e criminosos envolvendo o futebol e as torcidas organizadas, só que muitas vezes a mídia gosta de puxar um pouco a orelha da galera que joga RPG e faz cosplay, que são coisas totalmente inofensivas. Mas quando acontece uma extrema exceção nesses meios, a mídia tradicional ama colocar isso como uma vilania extrema e absurda, e que você deve tomar cuidado com o cosplay que o seu filho está usando, ou os jogos que ele anda jogando, ou essas coisas assim, sendo que, na verdade, a gente tem problemas muito maiores, e a mídia tradicional não pega no pé porque simplesmente isso dá dinheiro para eles.

Então, antes de mais nada, eu já vou dar um spoiler desse vídeo, que ele é uma grande crítica à mídia tradicional, falando abertamente sobre a televisão mesmo, a jornais, e querendo ou não, por mais que esse tipo de mídia tende a morrer e tende a acabar com o fim dos tempos, ou acabar não, né, a ficar muito menos focada e descentralizar, descentralizar toda essa esse consumo de informação, tirar da mão dessas pessoas e democratizar mais a informação. Na internet é basicamente isso, no fim das contas.

E voltando ao começo do vídeo, né, quando eu falei sobre as palestras sobre sobre videogame que eu vou fazer, que não tem absolutamente nada a ver com a violência, mas sempre alguém acaba puxando o assunto sobre a minha opinião sobre isso e o que deve ser feito, é muito simples, gente: prestem atenção no que os seus filhos estão jogando. Parece complicado, mas genuinamente não é. E a mídia muitas vezes gosta de pegar um de cobrar um pouco mais do videogame do que ele definitivamente deve ser cobrado, sendo que é uma mídia sendo que o videogame em si, ele facilita tanto para essa filtragem, tão mais do que outras mídias, como, sei lá, até mesmo o cinema. Eu vou traçar bastante paralelos com o cinema aqui.

Certo, então, estou pegando aqui, que vai ficar horrível no chroma key, esse aqui é o Gears of War. Ele é um jogo para mais de 16 anos e isso vem diretamente estampado na capinha. Eu vou colocar uma foto aí para não ter que ficar zoando o chroma key com o meu minha caixa de Xbox, que é verde em um fundo verde, né? Se bem que eu gosto de brincar com chroma key, sei lá. Certo, e aqui tem um filme, que é a Sociedade dos Poetas Mortos, que não tem a classificação indicativa na capa. Acredito por não ser uma classificação indicativa para maiores de 18, ele deu um destaque menor. Mas a mas a classificação mas a classificação indicativa, ela tá no mesmo lugar da caixa de videogame, que aqui atrás, ó. Tá aqui: 12 anos. E o do Xbox tá aqui atrás também: 16 anos.

Então, para você que vai comprar videogame para o seu filho, olha na parte de trás da caixinha! Simplesmente isso. E às vezes eu escuto: “Ah, mas Kiliano, eu tomo esse cuidado, mas eu não sei se o pai do amigo do meu filho está tomando esse cuidado”. Bem, não sei. Esse é um problema que eu não sei como resolver. Mas pense bem: talvez o o filho do seu amigo esteja chamando seu filho para ver filmes, sabe? E, sei lá, os filmes que eles tão assistindo. Mas por que pegar tão no pé assim do videogame, deixar o cinema de fora de lado, ou deixar a literatura fora de lado? Ou deixar o consumo de histórias que a gente gosta tanto num patamar tão diferente, sendo que todos podem ser igualmente violentos? Claro que videogame, por te colocar num papel ativo do protagonista, existem umas constatações maiores sobre, mas não é sobre isso que é esse vídeo.

Bem, mas só tô querendo dizer que esse é um problema bem menos preocupante do que parece. A nossa geração, essa galera mais velha, estava muito mais à mercê de jogos violentos do que agora, né? Hoje tudo tem muita classificação, tudo é muito bem assinalado para o pai que quer buscar a informação. É tudo muito, muito, muito mais fácil. A gente tem YouTubers aí, a gente tem conteúdo gratuito, extremamente acessível na internet. Se seu filho falar sobre o nome de um jogo, procura no YouTube, vê o que que é, vê um review. Tem muitos reviews aí de 5 minutos, ele vai te falar e que vai vai ajudar você a tomar a decisão do que você vai fazer com o seu filho, né? Se você vai deixar ele jogar o jogo, mas vai tá perto para poder aconselhar, se você, sei lá, vai confiar na educação na educação que você deu para ele e definir o certo e o errado. Eu não sou psicólogo, eu não tenho a menor capacidade de aconselhar nada. Mas eu pelo menos eu quero falar diretamente aqui para os pais sobre jogos violentos que, cara, é muito simples: tá na caixa! Para comprar um jogo digital também é muito fácil, isso tá assinalado na página de venda do jogo. E todos os videogames hoje têm um sistema de controle de pais. A Nintendo principalmente, eles eles são sempre muito sólidos, muito fixos com isso, né? O Nintendo Switch tá sendo lançado com um controle de pais bastante rigoroso, em que o pai pode literalmente saber tudo que o filho anda fazendo no videogame, sem necessariamente quebrar a privacidadezinha que ele tem ali, sabe? Ele ainda jogar à vontade no videogame, e o pai ainda tá sabendo mais ou menos ali o que ele tá jogando, até para você ter mais assunto para poder conversar com o seu filho e participar mais da vida dele.

Não é um problema realmente grave ou qualquer coisa assim. Os jogos violentos, eles têm que existir, gente. Tem várias mídias aí que que precisam da violência para poder contar uma história. Muitas e eu, porra, eu sou um adulto, eu gosto de consumir conteúdo adulto, é simples assim. É, eu quero isso, eu não quero que isso seja afetado por esse tipo de de de crítica, sabe? Esse tipo de mídia tem que existir, só que tem que ser focada e tem que tá tudo muito bem claro o que é e para quem foi feito.

Bem, mas esse conceito forte que a gente tem na nossa cabeça sobre o grande problema dos jogos violentos, ele realmente vem muito da mídia tradicional. Voltando a falar um pouco da televisão e realmente pegando um pouco pesado com isso, cara, a televisão sempre foi muito de criticar tudo que foi diferente. Falando assim sobre videogame, né, querendo ou não, o videogame no início ele foi uma concorrência direta para a TV, que você obviamente vai ter que desligar a televisão para poder jogar o videogame e não vai poder ver os anunciantes nem os programas da TV. Então a TV vai falar e vai ajudar a disseminar o boato que que videogame estraga a televisão, vai ajudar a disseminar o boato que Mortal Kombat é um jogo assim, assim, assado, que mostra isso e isso desse jeito. Tá certo que na época realmente não tinha muita classificação indicativa, então podia realmente ser problemático. Só que ainda assim, muita gente são pouquíssimos jogos que realmente têm essa abordagem. Ainda mais se a gente falar do Super Nintendo, cara, porque não tem gráfico ultrarrealista, a maioria das coisas são todas tão coloridas, tão felizes assim. Hoje em dia que que é mais fácil você fazer algo realista é um pouco mais preocupante, mas tudo tem tem a classificação indicativa na cara, não tem nem o que criticar, sabe? É só realmente prestar um pouquinho de atenção e se esforçar um pouquinho para saber o que você tá comprando.

A mídia tradicional sempre pegou muito pesado com o videogame, continuou pegando pesado com com ele até hoje, basicamente. Quando a televisão começou a perder audiência para a internet, eles começaram a fazer matéria sobre como a internet era perigoso, como rede social pode ser problemático, como comprar na internet pode ser algo terrível. E principalmente por causa dos anunciantes, né? Os anunciantes, normalmente lojas tradicionais, que demoraram um pouquinho para entrar na internet, morrendo de medo disso, né? Talvez botando pressão e a televisão comprando isso aí. Mas hoje em dia a televisão abraçou a internet porque viu que não tem como brigar com ele, e os anunciantes também foram para a internet. Então os grandes anunciantes da TV estão com sites, querem divulgar seus sites, então não é interessante você desincentivar uma pessoa com uma matéria falando que é perigoso comprar pela internet. Então isso esse relacionamento da TV com a internet acabou mudando bastante, porque eles viram que não tem como competir, não adianta, então eles acabaram abraçando. E hoje em dia eu sinto que muito o foco da da TV aberta talvez possam ser os YouTubers, porque eles tão perdendo bastante audiência para os YouTubers. Então qualquer besteirinha que um YouTuber talvez faça acaba queimando um pouco o filme geral do próprio YouTube por essa pressão que a mídia tradicional dá, né? Como, por exemplo, teve aí o canal dos meninos lá que foram pagos pelo governo para poder falar bem da reforma da educação, e na verdade eles não assinalaram bem no vídeo que era uma propaganda. Isso acabou virando bastante notícia aí no na TV aberta. Só que, né? É basicamente o que eu já falei esse vídeo todo. Eu acho que vocês entenderam bem a situação, que a a TV aberta, ela talvez possa ser uma grande vilã em várias situações.

Bem, mas resumindo a história, eu não quero vilanizar obviamente TV aberta aqui, ninguém vê mais esse negócio mesmo. Mas só queria falar, voltando, só concluindo a história de jogos violentos: relaxem, jogos violentos precisam existir. Existem histórias que precisam disso para contar as suas mensagens. Houve um amadurecimento da indústria de videogame em que a violência que foi praticamente usada para tudo de início, hoje em dia não tá tanto assim, sabe? Você tem vários jogos totalmente não violentos, eu posso passar uma lista corrida enorme deles aqui agora, que usam no máximo ali uma violência cartunesca ali para poder contar as suas histórias. Bem, no mais, as coisas tão melhorando.

Então eu eu não ando tão bom para concluir vídeos assim, eu acho. Não não sei, eu acho que é porque eu não tenho roteiro, então eu acabo divagando um pouco demais. Bem, mas basicamente é isso, então. Não se preocupem tanto, olhem a classificação indicativa. Se ainda tiver dúvida, procura um review na internet, não é difícil, é muito fácil, para você educar o seu filho do jeito que você acha melhor, simplesmente isso. Né? E não coloquem a culpa nos videogames, por favor. Eles não têm culpa de nada disso. E é isso. Talvez eu faça um vídeo futuramente aí falando como talvez alguns jogos usam a violência de forma desnecessária, sendo que poderia ser outra coisa. Ou não, não sei, talvez eu faça esse vídeo no futuro. É isso aí, obrigado e até a próxima!

Descrição do Vídeo

Jogos exibidos no vídeo:

Hotline Miami 2:
http://store.steampowered.com/app/274170/?l=portuguese

Butcher:
http://store.steampowered.com/app/474210/

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